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terça-feira, 12 de maio de 2009

Introdução aos Profetas Menores: Ageu

Ageu, o Profeta da Construção do Templo

I - História pessoal - Pouco se sabe a respeito de Ageu, além do fato de ter sido ele o primeiro profeta da recém-estabelecida colônia judaica, formada pelos que regressaram da Babilônia à Palestina, em 536 a.C. Tanto em seu livro como em Esdras 5:1, ele é apresentado simplesmente como “Ageu, o profeta”. De Ageu 2:3 deduz-se que ele já era um ancião, quando profetizou, tendo provavelmente entre 70 e 80 anos de idade. Em todo o caso, parece que tinha mais idade do que Zacarias, pois quando os seus nomes aparecem juntos, Ageu é sempre mencionado em primeiro lugar (Esdras 5:1;6:14). Uma tradição antiga declara com certeza que ele nasceu em Jerusalém, tendo sido levado cativo por Nabucodonosor, e que lhe foi permitido por Ciro o regresso à Cidade Santa.
As versões gregas, latinas e siríacas associam o seu nome ao de Zacarias, no princípio de certos salmos, como o seu provável autor. Possivelmente ele também foi um sacerdote (Ageu 2:10-19). Segundo a tradição judaica ele era membro da Grande Sinagoga.
Seu nome em Hebraico tem uma raiz descritiva de movimento excitado e rápido, tal como a dança. Daí se pode deduzir ter ele nascido em algum dia de festa. Os nomes hebreus eram às vezes formados dessa maneira. Por exemplo, “Barzilai” significa “homem de ferro”, oriundo de “Barzil” = ferro. Por outro lado, é possível que o nome “Hagga” seja uma contração de “Haggiah”, significando “Festival de Javé” (1 Crônicas 6:30). Assim como “Matenai” é uma contração de “Mataniah” (Esdras 10:26,33). Também o seu nome pode ser uma contração de “Hagariah” (Javé se move), bem como “Zaqueu” é uma abreviação de Zacarias.
II - Sua Obra - A reedificação do Templo é o centro de interesse ao redor do qual gira tudo que Ageu prega. Porque sua missão suprema era animar os judeus de Jerusalém a se levantarem para reedificar o Templo de Salomão, destruído por Nabucodonosor em 586 a.C. Nenhum profeta pregou mais direta e fervorosamente aos seus contemporâneos e nenhum outro conseguiu mais êxito. Seu colega mais jovem, Zacarias, também foi chamado a ajudar nessa grande tarefa. A diferença entre eles é que Ageu pregou durante um breve período de crise, enquanto Zacarias anexou profecias espirituais de edificação, para todos os tempos, às suas visões sobre a reconstrução do Templo.
III - Seu período e circunstâncias - Todas as profecias de Ageu (bem como muitas de Ezequiel) estão datadas como pertencentes ao segundo ano de Dario, lá pelo ano 520 a.C. (Ageu 1:1,15;2:10). O livro de Esdras, sem dúvida, dá mais detalhes da história do seu período e obra (Esdras 1:1-4:5;4:24-6:15). Ele nos conta como um segundo êxodo, por assim, dizer, aconteceu em 536 a.C, quando Ciro, rei da Pérsia, deu aos judeus permissão para regressarem a Jerusalém (Ageu 1:1-4) e 42.360 pessoas, sob a liderança de Zorobabel, cabeça civil da comunidade, e Josué, cabeça eclesiástica, regressaram à Terra Santa e se estabeleceram em Jerusalém, e nas povoações vizinhas a Belém, Betel, Anatote, Gabaa e outras partes (Ageu Cap. 2).
O livro de Esdras também nos diz como a permissão de Ciro para reconstruir o Templo transformou-se em letra morta durante anos (Ageu 4:1 e seguintes). Porque, ainda que os colonos judeus houvessem regressado da Babilônia ansiosos e entusiastas, a fim de restabelecer o culto no seu santuário, tendo edificado o altar dos holocaustos sobre o antigo local do mesmo (Ageu 3:2-3), sem dúvida sabemos que eles foram obrigados a desistir do seu término por causa dos ciúmes dos samaritanos, os quais descendiam dos colonos trazidos a Samaria pelo rei Sargão, em 722 a.C (2 Reis 17:24-41), cuja oferta para ajudar na construção havia sido terminantemente recusada (Ageu 4:1-5,24 - Comparar com Ageu 5:16). Por causa disso, o trabalho de reconstrução ficou parado por dezesseis anos. A apatia substituiu o entusiasmo e o sórdido afã de ganhar dinheiro absorveu-lhes o interesse principal.
De fato, parecia que, à medida em que o tempo passava, os judeus até começavam a regozijar-se com a oposição feita à sua tarefa, visto como isso lhes dava oportunidade de construir casas bem trabalhadas para eles mesmos (Ageu 1:4). Porém aconteceram anos de escassez, devido, como Ageu lhes recorda, ao desagrado de Javé (Ageu 1:1-11).

IV - Análise - As profecias de Ageu, por estarem datadas, são facilmente analisadas:
1. - Cap. 1:1-15 - Pronunciada no primeiro dia do sexto mês (setembro), contendo censuras do profeta à indiferença do povo em relação à Casa do Senhor, acusando-o fortemente, em o nome deste. Admoestando ainda por causa da apatia em relação à reedificação do Templo, o que havia feito com que Deus lhe negasse o produto do campo (Ageu 1:10, comparar com 2:16) e exortando-o a “considerar” os seus caminhos (Ageu 1:5-7). O efeito dessa admoestação aberta e comovente foi que, vinte e quatro dias depois, o povo começou a trabalhar (Ageu 1:14,15).
2. - Cap. 2:1-9 - pronunciada no vigésimo primeiro dia do sétimo mês (outubro) contém uma nota verdadeiramente animadora para aqueles, cujas ambições para construir o Templo (o qual seria digno de comparar-se ao de Salomão) corriam o perigo de fracassar. Ao contrário, o profeta lhes assegura que Javé “fará tremer” as nações e as coisas preciosas de todas as nações hão de vir, para aformosear e glorificar o novo edifício (Ageu 2:7-8, comparar com Hebreus 12:26-27).
3. - Capítulo 2:10-19 - pronunciada no vigésimo quarto dia do nono mês (dezembro), exatamente três meses após ter sido relembrada a obra de reconstrução do Templo, contendo o primeiro discurso, uma repreensão ao povo por causa da sua inação e a declaração de que o seu descuido nesse sentido havia contaminado a sua vida moral. Uma parte desse discurso é expressa em forma de parábola (Ageu 2:11,14), por meio da qual é demonstrado como uma só culpa pode conduzir ao vício. Por outro lado, se os trabalhos de reconstrução do Templo se adiantam, Javé voltará a abençoá-los e com boas recompensas há de premiar o seu zelo renovado (Ageu 2:19; Zacarias 8:9-12).
4. - Capítulo 2:20-23 - pronunciada na mesma data do terceiro discurso, anunciando que a catástrofe se avizinha, quando “o trono dos reinos” será transtornado, Zorobabel será estabelecido como o representante da dinastia de Davi, a esperança patriótica de Israel, o vice-regente honrado por Deus - sim, o precioso ”anel de selar” na mão de Javé (Comparar com Jeremias 22:24).
V - Lições permanentes - A mensagem de Ageu, com apenas 38 versos (que se imagina constituírem apenas um breve resumo dos mais importantes discursos do profeta), causou um ímpeto efetivo na causa da reconstrução do Templo, assim como testifica Esdras nos caps. 5:1 e 6:14 do seu livro. O resultado de sua pregação foi uma grande vitória. Porque persuadir todo o povo a fazer sacrifício financeiro e adiar os seus próprios interesses particulares, a fim de construir um santuário público, não era uma tarefa fácil. Porém Ageu o conseguiu e pelo seu êxito tornou-se o verdadeiro fundador do Judaísmo pós-cativeiro. Sua obra serviu de preparação à de Esdras e Neemias.
VI - Estilo – O estilo de Ageu seja menos poético do que o dos seus predecessores. Porque o seu estilo convém admiravelmente à sua mensagem e ao fim proposto. Seu estilo, mesmo conciso e sem adornos, é, ao mesmo tempo, austero e forte. Suas afirmações são breves e agudas, exatamente o que a ocasião exigia para reformar, corrigir e restaurar. Ainda que o manto da profecia tenha caído sobre ele “em forma de andrajos e remendos”, não obstante suas palavras são as de um coração profundamente comovido por uma situação agitada. O seu propósito completa o que lhe falta em estilo. Mesmo usando um vocabulário limitado, repetindo com freqüência as mesmas fórmulas, Ageu é profundamente sério. Deve-se confessar que ele não carece de força, quando exorta, nem de emoção, quando repreende. “A magnitude profética de um poeta é medida, não pelo esplendor literário do seu estilo, mas pela obra que ele executa”.

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